Debaixodosceus.pt e Amazon.com: Uma parceria de sucesso
2017 Publicação "Daquele Além Marão"
2020 Foi criada a nova imagem
2017 Apresentação na Casa dos Transmontanos do Porto
2022, Pela primeira vez, publicação em capa dura além de capa mole
2017 Apresentação na Confeitaria Luso-brasileira
2020 Publicação "Entre o Preto e o Branco"
2017 Apresentação no CITICA de Daqueles Além Marão
2016 Apresentação no CITICA de "Lágrimas no Rio"
2016 Publicação de Lágrimas no Rio
2016 Apresentação no ISLA de "Lágrimas no Rio"
2015 "Terras de Xisto" - A primeira publicação
2022 Publicação de "A Caixa do Mal"
2022 Devido ao seu sucesso, "Lágrimas no Rio" tem 2ª edição
2022 Publicação "Na Sombra da Mentira"
2022 Publicação "Depois das Velas se Apagarem"

sexta-feira, 8 de maio de 2020

A minha primeira "distinção literária"

Rua da Mainça e a escola Dr. Francisco Godinho de Faria em São Mamede de Infesta (possivelmente década de 1980)

Há uns dias, a remexer em livros antigos, (coisas do confinamento) deparei com a minha primeira "distinção literária", o que me trouxe à memória um conjunto de recordações da infância em São Mamede de Infesta, onde nasci e me criei.
Assim que terminei os quatro anos da Escola Primária,  ingressei no 1º ano do Ensino Preparatório, numa escola acabada de construir, no lugar da Mainça. Corria o ano de 1975 e a Revolução dos Cravos, que alterou a forma de viver e pensar dos portugueses, tinha acontecido há apenas um ano.
A Escola Preparatória Dr. Francisco Godinho de Faria, estava destinada a ser apenas do ciclo preparatório (1º e 2º anos), mas acabou por, mais tarde, incluir todo o ensino até ao 9º de escolaridade do Ensino Unificado, ou 5º do secundário. Era um conjunto de edifícios pré-fabricados instalados nos socalcos do terreno, numa encosta que descia das traseiras das casas da Avenida da Pedra Verde, a zona “chique” da freguesia.
Avenida da Pedra Verde na atualidade

Demorava cerca de meia hora a pé para chegar à escola, desde a minha casa na rua Henrique Bravo, próximo da rua das Laranjeiras. O dinheiro não era muito e se pudéssemos poupar o bilhete do autocarro, era muito bom… A revolução de Abril tinha trazido liberdade, mas pouca prosperidade e, se antes o meu pai não tinha benefícios sociais porque era patrão, agora, além de continuar a não os ter, era odiado, porque a febre comunista ditava que todos os patrões eram maus… mesmo aqueles que, por vezes, não conseguiam trazer o ordenado inteiro, para ter com que pagar o dos funcionários. Para nós, crianças, isso era pouco significativo, a caminhada para a escola era uma forma de conversar e brincar com os companheiros que se nos iam reunindo no trajecto.
Foi nessa escola que tive a honra de conhecer grandes professores de História, como a Nídia Maria e a mais famosa de todas, Maria Manuela Moreira de Sá, que mais tarde daria o seu nome à escola, que foi a sucessora dessa onde eu estudava na altura.
Destinada a ser de carácter temporário, desde a sua inauguração em 1974, até aos últimos meses de 1991, foram dezassete anos de crianças formadas num ambiente único que ainda hoje me deixa muitas saudades. Os seus pavilhões prefabricados, aqui e ali, nos diversos socalcos do terreno, os taludes que serviam de escorrega e que nos sujavam as roupas, as escadas de cimento, percorridas em velocidade pela criançada. A toda a volta, os muros feitos de placas de betão e, por recreio, o enorme campo de jogos, que mais não era do que um terreiro, sem balizas sequer e que tinha, aqui e ali, grandes goelas provocadas pela chuva, que os miúdos aproveitavam como trincheiras para "jogar às pedradas" uns com os outros. A biblioteca onde, mais do que livros de estudo, muitos episódios do Luky Luke, do Asterix e do Tintin preencheram os meus tempos livres.

Infelizmente, não tenho nenhum registo fotográfico daquela época.
Estas fotografias são simplesmente ilustrativas e retiradas de um grupo do Facebook de antigos alunos da escola.
No "meu tempo" as fotos eram a preto e branco e havia poucas máquinas fotográficas.
 
A escola foi demolida algures na década de noventa do século passado e tenho pena de não ter guardado um tempo para tirar umas fotografias a um pedaço da minha vida que desapareceu para sempre. A rua da Mainça, tem agora um aspeto diferente e urbano, não há multidões de crianças alegres e ruidosas a percorrê-la, mas é ainda vigiada pela capela de São Félix (à esquerda), que a atrás referida doutora Manuela Moreira de Sá, em conjunto com os seus alunos, nos quais eu estava incluído, foi responsável pela recuperação.

A rua da Mainça, antes e depois.

Mas não é para lembrar esses anos maravilhosos, que criei esta publicação, mas sim para falar do meu eterno gosto pela escrita. Desde que me lembro, que gosto de escrever e perdi durante a vida, muitas páginas de histórias, fruto da minha imaginação e poemas escritos às "mulheres da minha vida". Houve até um caso em que, em conjunto com uma amiga, fizemos uma história, que eram cartas imaginadas, que escrevíamos um ao outro... que delícia deviam ser agora, se as tivesse conservado.
 Foi porém um outro acontecimento, que marcou a minha vida para sempre:
Um certo dia, a "stora" Teresa, de português, teve a ideia de fazer um pequeno concurso de escrita onde ofereceria um livro ao vencedor. Acabaram por ser, não um, mas três, os concursos, dada a alegria com que a pequenada abraçou a tarefa. Para minha desilusão, não fiquei em primeiro em nenhum deles. Nos três concursos, fiquei sempre em segundo ou terceiro, apesar de o primeiro lugar ter sido sempre ocupado por colegas diferentes. A professora achou que eu deveria ter direito a uma distinção também e no dia seguinte, presenteou-me com este livro, que aqui podem ver digitalizado.
Uma prenda com quarenta e três anos, de que muito me orgulho e guardo com muito carinho.













Share:

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A Vida Que Eu Quero

Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.


Cabelo comprido, desgrenhado e barba de vários dias, com passos inseguros, o homem arrastou-se pelo meio da esplanada. Aparentava uns sessenta anos e envergava um blusão bege sovado e umas calças de ganga, que já tinham conhecido melhores dias, terminando numas sapatilhas de pano, sujas e rasgadas. Para dar um pouco de dignidade, trazia debaixo do braço um jornal, dobrado, como se o fosse ler.
O empregado do café reconheceu-o e deixou-o passar pela sua frente, após o qual exibiu uma careta mista de tristeza e desprezo, acenando negativamente com a cabeça.
O vagabundo dirigiu-se ao funcionário que se encontrava na caixa, atrás do balcão, que exibiu uma expressão contristada, assim que se apercebeu da sua presença.
— Bom dia senhor António. — Entaramelou o recém-chegado, em ar de gozo, demonstrando uma clara embriaguez. — Ainda tens os jornais de ontem?
— Boa tarde, senhor Fernando. — Corrigiu-o o outro, que aparentava uns trinta anos, baixo, de cabelo curto. No rosto simpático, os olhos pequenos, fitavam o interlocutor com preocupação, respondendo ao cumprimento com a formalidade, que não era obviamente usual.
— Ou isso. — O outro não se preocupou, rematando rapidamente. — Para mim, bom dia ou boa tarde, o que interessa é que seja bom e bom, é poder ter qualquer coisita com que forrar o estômago.
— Não comeste nada ainda? São quase cinco da tarde… — Novamente a expressão de preocupação. — Mas para beber havia…
— Oras! Era o restito de uma garrafosa que me deram ontem, que ajudei a descarregar um camião. — Riu-se o Fernando, levando a mão às costas. — Hoje estou aqui que não posso das cruzes.
— Não te pagaram? — António surpreendeu-se.
— Pagaram pois! — O outro escandalizou-se. — Não te disse que me deram uma garrafa de tinto? Isso e duas latas de atum, a larica é que era muita e dei cabo de tudo à noite.
— Valha-te Deus! — Havia lágrimas nos olhos do mais jovem.
— Que queres que faça? — Justificou-se o mais velho. — O pessoal agora põe o papel todo no papelão, ninguém dá nada para recolher, tenho de correr quilómetros à cata. O sovina do farrapeiro anda a chular-me e cada vez paga menos, além de que acho que a balança está aldrabada.
— Vem. Anda a comer alguma coisa. — António abriu o balcão, para que o outro entrasse para a cozinha.
Enquanto o vagabundo se sentava à mesa, onde normalmente se preparavam as refeições, o outro deu instruções à cozinheira para que preparasse um prego em prato “bem abonado” e trouxesse uma bebida qualquer sem álcool. Depois sentou-se frente ao convidado, ignorando os resmungos da mulher.
 — Mas arranjas os jornais ou não? — Insistiu Fernando, apesar de estar já pronto para comer. — É que se não, tenho de ir à minha vida, procurar noutro lado.
— Sim, tenho ali muitos jornais, acalma-te. — Sossegou-o o mais novo. — Então agora andas ao papel, é?
— Tem de ser! Um gajo tem quem de ganhar a vida, não é? — Afirmou Fernando, convicto.
— É assim que ganhas a vida? Dá para comer?
— Assim, assim. — O velho encolheu os ombros. — É mais para o tabaquito e uns copos, aqui e ali. Comer, normalmente é à noite, quando vem o pessoal da ajuda de rua; uma sopita quente, uma carnita e uns iogurtes. Dá para o gasto. Dantes, andava a pedir, ou a arrumar carros, mas andava sempre com chatices, havia gajos que assaltavam ou riscavam os carros que eu devia estar a guardar e se eu chiava, ainda lerpava por cima. O lixo é mais seguro, embora não possas mostrar que tens guito, nem trazer muito papel junto, ou vem por aí algum cabrão e leva-to.
A cozinheira pousou o prato fumegante na frente do homem, que atacou o manjar com unhas e dentes, enquanto ela se deixou ficar em pé, junto dos dois.
— Ontem, como me emborrachei, — disse com a boca cheia, — esqueci-me da sopa e prontos, lerpei.
— E onde dormes? — Intrometeu-se a cozinheira.
— Por aí! — A refeição desaparecia sofregamente, mas ele não deixava de responder ao interrogatório. — Antes dormia numa casa abandonada, mas deitaram-na abaixo. Fico normalmente na antiga mercearia do Silveira, que está vazia há muitos anos.
— Porque não fazes o que eu te disse já tantas vezes? — Os olhos de António reluziam e sentiam-se os dentes cerrados com força por trás dos lábios finos.
— Nããã! — Recusou o outro. — Que vou fazer agora, da maneira que estou? Já viste o meu aspeto?
— O aspeto pode ser composto.
— Tenho vergonha, não percebes? — Com o prato vazio, o vagabundo impacientava-se. — Que vou fazer agora para casa, para uma família a que não pertenço? Velho, desdentado… derrotado! Vai buscar os meus jornais, que tenho mais o que fazer!
Com as lágrimas nos olhos, António afastou-se, a saber dos jornais.
— A minha vida é esta! Estavam cheios de mim no trabalho, mandaram-me embora, velho de mais para me empregar, novo demais para a reforma, que querias que fizesse? — Reafirmou Fernando, perante a expressão de desaprovação da cozinheira. — Ir para casa viver de subsídios, ou ouvir piadas de que sem o filho não sou nada? Há quatro anos que vivo nas ruas e safo-me bem! Quero lá eu saber de casas cheias de regras e mulheres mandonas! Sempre fui senhor de mim e ganhei o meu sustento! Em mim, mando eu!
— Pelo menos enquanto te derem de comer e não precisares que cuidem de ti! — Exclamou com desprezo a mulher, empurrando-lhe um saco plástico, com duas sandes, para debaixo do braço.
Sem recusar a oferta, o velho saiu da cozinha para a entrada do café, onde recebeu o embrulho com jornais amarrotados.
— Obrigado pela comida! — Atirou Fernando, afastando-se a cambalear.
A cozinheira materializou-se ao lado de António e abraçou-o com carinho, ao ver as grossas lágrimas que lhe corriam pelo rosto. Ele, estático, com a visão do sem-abrigo a afastar-se, moveu os lábios, num sussurro: “Até à próxima, pai.”


Share:

terça-feira, 14 de abril de 2020

Heranças - Novo trabalho dos Pentautores


Porque aqueles que amam a escrita nunca estão parados, aqui está mais um novo trabalho dos Pentautores.
Desta vez, Ana Paula Barbosa, Carlos Arinto, Jorge Santos, Manuel Amaro Mendonça e Suzete Fraga, convidaram para reforço desta edição, um outro autor cujos escritos têm despertado o interesse e a admiração de muitos leitores: Fernando Morgado.

Passo a transcrever um excerto das palavras de Fernando Morgado, publicadas no prefácio desta obra:


"Não há presente sem passado e o futuro não acontecerá sem estes dois estádios de vida. Dito isto com a erudição que nem La Palice inventaria, volto à praça da vida para confirmar esta certeza: é a memória que nos liga aos outros e a nós mesmos, é a memória que nos justifica em tantos momentos, é a memória dos sonhos e dos desafios que nos faz continuar."

É realmente este o mote incluído neste novo livro: as heranças que recebemos, dos antepassados, das pessoas com quem convivemos, ou simplesmente da própria vida. Boas ou más, dolorosas ou divertidas, materiais ou genéticas, são essas pequenas peças que fazem de nós a pessoa que somos.

Venha conhecer as heranças dos Pentautores e ver como elas moldaram histórias e personagens.


Grupo Pentautores



Share:

segunda-feira, 30 de março de 2020

Estranhos Tempos



Nestes tempos olho as ruas vazias,
E escuto o silencio das estradas,
Sentindo a solidão nas casas.
Vivendo as noites frias,
Olhando as pessoas paradas.

O mundo, a respiração prende,
Por pavor do vírus liberto
E se para alguns, o fim é certo,
Para outros a imobilidade ofende,
Mesmo se a morte está perto.

Escuto os pássaros, sinal de esperança
Num futuro ainda desconhecido
Num presente tão tremido
Em que me encolho, qual criança
Como de um castigo, fugido.

Vestes brancas, pobre idoso
Suportando os males do mundo,
Neste planeta imundo
Reza a missa, saudoso,
Do povo que orava, profundo.

Tu que estás no Céu, Criador,
Abençoa estas Tuas criaturas,
Poupa-as a tais torturas
E afasta para longe a dor
Livra-os de tais amarguras.


Leva os Teus cavaleiros, também
Que há muito lançaste na Terra,
Livra-nos da Fome e da Guerra,
Livra-nos de todo o mal, Amém,
E da Peste que hoje aqui se ferra.

Os loucos governam o mundo,
Deixam todos os outros morrer,
Desprezam os que deviam proteger
Querem o dinheiro, nauseabundo,
Tudo o resto se pode perder.

A morte de um homem é tragédia
Mas só estatística, se forem mais,
Não pensam assim os demais
Apenas os loucos que têm a rédea
Quando entre os seus, não há fatais

Assustada, a criança chora
Temendo o pior, choramos também
É uma dor que não poupa ninguém
Mas há quem p’ra isso não tenha hora
Envolto na luta de salvar alguém.

E graças a eles,

 Irá ficar tudo bem.

Share:

sábado, 29 de fevereiro de 2020

A Última Afronta

Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.


O homem acordou, cheio de dores em todo o corpo e apercebeu-se do braço engessado. Lembrava-se vagamente da ambulância e do aparato na entrada das urgências. Apalpou o volumoso penso que tinha numa das orelhas e grunhiu uma praga.
Gemendo, sentou-se na cama e olhou em volta; havia mais três leitos, cujos ocupantes dormiam a sono solto. Um deles ressonava ruidosamente.
Queixoso, pousou os pés no chão e calçou os chinelos que estavam ao lado do leito. Era um homem de compleição forte, quase gordo, de sessenta e um anos, mas com a cabeça coberta por uma farta cabeleira branca. Caminhou ao longo da cama, apropriou-se da canadiana do vizinho e cutucou-o rudemente com ela, para que parasse os roncos. Depois, apoiado no objeto roubado com o braço são, dirigiu-se para o corredor, para responder à urgente vontade de urinar.
Caminhava com dificuldade, apoiado na canadiana, ao longo do corredor do hospital, quando, atrás dele, saída das sombras em passo apressado, avançou uma mulher, aproximadamente da mesma idade. Também tinha hematomas no rosto, a cabeça ligada e dois dedos de uma mão com talas.
Assim que o homem chegou à porta do WC, apercebeu-se da presença da mulher e fez uma expressão de terror, quando ela lhe lançou o cotovelo sob o queixo e premiu-lhe a laringe sem piedade. Entraram ambos de rompante pelas instalações sanitárias, sem que ele conseguisse soltar um gemido.
Lá dentro, ele bateu com a cabeça na parede com força. Com o pé, ela empurrou a porta para que não fossem vistos do exterior e começou a socá-lo com toda a força, enquanto ele tentava proteger o rosto, sem sucesso. Lutaram pela canadiana e quando ele soltou um grunhido, pela garganta magoada ela principiou a dar-lhe joelhadas nos genitais, até que ele se vergou. Agarrou-o pela gola do pijama e puxou-o com toda a força, com a cabeça contra o ferro de apoio, ao lado da sanita e o homem caiu desacordado.
Ofegante, olhos desvairados de fúria, ela espreitou para o exterior, verificando se os ruídos não tinham chamado a atenção de ninguém. Em seguida, ajoelhou-se sobre o peito do homem e tapou-lhe o rosto com a toalha, pressionando sobre o nariz e a boca. Ao fim de uns segundos, ele começou a debater-se, mas ela conseguiu mantê-lo imobilizado o tempo suficiente, até que parasse de se mexer.
Saiu das instalações sanitárias, a transpirar, cabelo desalinhado e em passo rápido, para voltar à ala que lhe competia.
Para saber quem eram estas duas pessoas e qual a animosidade que movia a mulher, para uma atitude tão violenta, teremos de recuar ao dia anterior.
***
 Gabriela era uma mulher geniosa, ectomórfica, a rondar os sessenta anos. O seu rosto, de linhas finas, prematuramente envelhecido, deixava as pessoas surpreendidas, com o contraste da agilidade com que se movia. Naquela manhã, estava corada e os seus olhos soltavam chispas, quando chegou ofegante à porta da casa de Daniel, o seu ex-marido. Com o punho fechado, bateu fortemente por várias vezes, gritando o nome daquele que, em tempos, partilhara a vida com ela.
Daniel vivia desafogadamente, como se podia atestar pela moradia, numa zona cara da cidade e a ocupar uns bons metros quadrados de terreno caríssimo. Reformado da direção de uma empresa pública, a pensão era suficientemente generosa para não lhe faltar nada.
— Gabriela?!? — Perguntou ele, surpreendido, no seu fato de treino de andar por casa, bem recheado de carnes. — Que se passa?
— Que se passa, seu monstro? — Ela cuspiu a pergunta. — Que se passou, seu porco! Que aconteceu debaixo dos meus olhos?
— Espera! — Ele tentou acalmá-la. — Entra e sossega, explica-me tudo, mas cá dentro.
— Não queres escândalo, é? — A mulher mantinha o tom de voz alto. — Tens medo de que os teus vizinhos saibam o filho da p** que tu és? — Ato contínuo, tentou esmurrá-lo no rosto.
Ele agarrou-a pelos pulsos e puxou-a para dentro de casa, enquanto fechava a porta com o pé. Estavam num pequeno átrio de entrada, ao cimo de umas escadas que desciam para uma elegante sala de estar.
— Acalma-te! — Gritou-lhe, sacudindo-a. — Que diabo! Que te aconteceu, julgava que estava livre das tuas fúrias!
— Estive hoje ao telefone com a minha filha! — Ela começou, enquanto lhe ia dando estaladas, que ele nem sempre conseguia evitar. — Com a NOSSA Alice, seu cabrão! — Continuava a espancá-lo. — Ela contou-me porque tinha tanta pressa em ir para Londres! Está a divorciar-se agora do marido, por não consegue, nunca conseguiu ter relações normais com ele, por tua causa!
— Que te contou ela? — Ele defendia-se como podia. — A Alice é uma mentirosa, já sabes!
— Não! Mentiroso és tu! És um demónio, um monstro! Ela tinha medo de ti e eu não percebia porquê, pois parecias tão carinhoso! — Gabriela chorava e os tabefes transformavam-se em murros bem direcionados. — Quando te deixei, nunca teria imaginado que essa tua cabeça porca, esses teus olhos lúbricos e nojentos se haveriam de pousar na tua própria filha! Julgava que as porcarias que viviam nessa mente tortuosa e doente estavam-me destinadas, como castigo de algo mau que pudesse ter feito, não para uma criança inocente! Porco, cabrão, filho da p**!
— E que querias, sua vaca anorética e histérica? — A atitude dele mudou radicalmente, enquanto devolvia os golpes dela com violência. — Desde que ela nasceu, só tinhas olhos para ela! Desprezavas-me e já não querias fazer as coisas, que gostavas tanto de fazer comigo!
— Gostava de fazer?!? — Gabriela agarrou-se como pôde à farta cabeleira alva e sacudiu-o. Por instantes ficaram um em frente ao outro, como que a decidir o que fazer a seguir. — Eu amava-te, seu cabrão pedófilo! Sujeitava-me porque te amava, mas depois comecei a odiar tudo aquilo que me fazias! Não era natural as coisas humilhantes que me obrigavas a fazer e eu só soube isso quando conheci um homem a sério e não um frouxo, que só se conseguia excitar causando dor e sofrimento.
Daniel acertou-lhe um soco violento que a atirou contra uma credencia e derrubou a jarra e vários objetos de vidro que lá se encontravam. Ele aumentou a pressão com dois tabefes que a prostraram no chão. Seguidamente baixou-se e começou a apertar-lhe o pescoço.
— Lembras-te? — Sussurrou-lhe ao ouvido, sentindo-se excitado, enquanto ela se debatia e ele aumentava o aperto. — Quase até ser tarde demais… as vergastadas nesse teu traseiro delicioso…
A jarra explodiu na cabeça dele e Gabriela libertou-se, pontapeando-o no rosto.
— Cabra selvagem! — Daniel atirou-se para cima dela, com sangue a correr pelo rosto e começou a rasgar-lhe as roupas, enquanto lhe prendia os braços. Deu-lhe uma cabeçada no nariz, que a deixou atordoada. — Sabes? — Desafiou ainda. — A Alice não valia nada, era em ti que eu pensava quando “a comia”.
Num assomo de energia desesperada, ela conseguiu dar-lhe uma joelhada entre as pernas e ferrar-lhe com toda a força uma das orelhas. Louco de dor, ele tentou erguer-se com a mulher agarrada de pés, mãos e dentes. Desequilibrados, acabaram a rebolar pela escada, até ao último degrau, onde ficaram caídos sem sentidos.
Se ideia de quanto tempo passara. Gabriela teve fraca perceção de ser transportada na maca e das vozes nervosas de médicos e enfermeiros. Estava já a recuperar lentamente a consciência, quando escutou os restos de uma conversa entre duas enfermeiras: “… marido e mulher, sim. Quase se mataram de porrada. Ela está aqui e ele do outro lado, na ala dos homens…”

Ela não abriu os olhos, mas logo ali, soube o que tinha de fazer…

Share:

domingo, 2 de fevereiro de 2020

SG MAG numero 9


Já saiu a revista SG Mag de dezembro 2019.
Na capa, mais uma excelente escolha do meu amigo Isidro Sousa, a bela poetisa baiana Rita Queiroz, que acrescenta à beleza, o dom da escrita e o amor pelo ensino.
Para além da entrevista à figura da capa, é dado destaque a uma das últimas antologias da editora Sui Generis, "Bendita Manjedoura" onde tive a honra de participar com o conto "O Natal de Miriam".


Esse mesmo conto é exibido na íntegra nas páginas da revista.


Para além disso, o Isidro deu algum destaque a algumas das minhas participações em antologias passadas e fez publicidade ao último livro que publiquei: "Daqueles Além Marão" (eu sei, já vão sendo horas de lançar outro).




Vale a pena ler esta revista que a editora Sui Generis disponibiliza de forma completamente gratuita. É uma forma interessante de conhecer quem são os novos autores lusófonos e o que se escreve fora dos circuitos "consagrados", vulgarmente reféns de compromissos comerciais, que se sobrepõem à própria literatura.

Não deixe de ler: SG mag numero 9







Share:

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Por Cada Dia de Amor

Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.


Foi furioso e revoltado que, naquela tarde de inverno, fria e chuvosa, dei entrada no hospital para outra e se calhar novamente inútil, operação aos olhos.
Estava farto de hospitais e médicos, farto das vozes de pena dos familiares e amigos… farto da vida… na escuridão.
Há vinte e seis meses que, gradualmente, a luz foi-se desvanecendo, até mergulhar numa eterna noite sem estrelas nem luar.
Para mim, os setenta e seis anos não desculpavam, nem justificavam coisa nenhuma. Sempre fui "são como um pero" e fui assistindo, enquanto os meus amigos, um a um, se iam abaixo pelas pernas, ou pela cabeça, às vezes por ambos, até se irem de todo. Sempre me mantive mais ágil e lúcido, com caminhadas diárias de vários quilómetros. Porque me haveriam de falhar os olhos, impedindo-me de ler os livros que reuni uma vida inteira?
Sentei-me na cama, respondi com um resmungo à despedida da minha nora e submeti-me, em silêncio, à humilhação de ser despido pelas enfermeiras.
— Boa tarde. Meu nome é André. — A voz grave e jovem chegou-me aos ouvidos, quando achava que me encontrava já sozinho. — Sou o seu companheiro de quarto. Voltei o rosto na direção do som, com os olhos a vaguear, perdidos na noite eterna.
— Oh, desculpe… não sabia. — A voz do meu companheiro tremeu e eu percebi que devia estar com a mão estendida, a aguardar que lha apertasse. — Não se desculpe. — Grasnei sem emoção, enquanto tateava pela mão que veio ao meu encontro. — Não é culpado pelo meu estado. Chamo-me Herculano.
Criamos ali uma bela amizade e, fruto da boa disposição do jovem, o meu rancor e desconforto foram-se esbatendo rapidamente numa sã convivência. Debatíamos as notícias da televisão, que eu só podia ouvir, mas que ele dizia não ter perdido nada, porque as imagens eram repetitivas e maçadoras. Discutimos animadamente qualquer tema e eu estava felicíssimo por finalmente encontrar alguém com um nível intelectual e cultural capaz. Penso agora que nunca lhe perguntei a idade, nem dei grande atenção à razão pela sua estadia naquele local.
Até o meu filho e a minha nora, quando me visitaram, ficaram surpreendidos com a boa disposição que aparentava, totalmente diferente de todas as outras estadias naqueles "hotéis" cheios de pessoas doentes.
Inevitavelmente, com os dias a passar e eu a recuperar da primeira de três cirurgias, a conversa acabou por cair sobre o amor, o romance e os livros. Lamentei-me não poder ler e tinha uma enorme biblioteca com os já lidos e uma pilha, dos que ainda não conseguira ler.
Um dia perguntou-me se eu queria que me lesse um romance pois, por acaso, estava a ler um e estava a gostar muito. Assenti, entre o contrafeito e o expectante, nada habituado a que me contassem histórias como se faz às crianças.
Foi para mim uma enorme surpresa, mas, após o primeiro capítulo, estava já aprisionado da narrativa:

"Gabriel, um dos protagonistas, era o filho de um importante comerciante do Porto setecentista e apaixonara-se por uma amiga de sua irmã, de condição francamente inferior, Arabela."

Até aqui, parece um simples romance de cordel, mas as discussões entre pai e filho, eram tão verosímeis, que dava por mim a comentá-las com o meu narrador, como se de um caso real se tratasse.

"Inevitavelmente, Arabela foi proibida de frequentar a casa e o jovem Gabriel incompatibilizou-se de vez com o pai e abandonou o lar familiar, fugindo com a sua amada. Nenhum dos dois estava preparado para viver sem o apoio das respetivas famílias e tiveram de alugar um quarto, numa das zonas mais pobres da cidade, para procurarem trabalho."

Protestei fracamente, quando o meu benemérito pediu para interromper a história, para poder descansar e, tal e qual como uma criança, passei parte da noite a imaginar qual seria o destino dos dois amantes.
No dia seguinte, sentia-me nervoso e irritado com toda a demora, enquanto as enfermeiras nos faziam a higiene diária e recebíamos a visita dos médicos. Foi apenas depois de almoço que foi possível retomar a narrativa com calma.
De novo me deixei envolver na voz sonora e cava de André, enquanto ele relatava:

"Gabriel teve muitas dificuldades para arranjar uma forma de sustento, até conseguir ganhar umas míseras moedas para varrer a oficina de um escultor, que era o trabalho normalmente feito por uma criança de oito anos.
Um dia, o mestre surpreendeu o jovem a esculpir um pequeno anjo em madeira, por cópia de outro que estava a ser preparado para decorar uma igreja. O velho artesão ficou espantadíssimo com a versão melhorada do original. Logo ali o convidou a fazer uma das colunas que iria precisar. Era o estilo barroco, a moda da época e cada coluna de madeira era profundamente trabalhada com anjos e motivos florais, não deixando espaços vazios. Não foi preciso mais e, no espaço de poucos meses, Gabriel deixara de ter de varrer a oficina, para trabalhar a tempo inteiro na escultura em madeira. Cada vez chegavam mais encomendas de clientes que gostaram de outros trabalhos. A vida estava a começar a correr bem para o jovem casal, mesmo Arabela, conseguira um emprego de dama de companhia de uns ricos burgueses onde era muito bem tratada."

Os dias iam-se passando e eu cada vez mais dependente daquela história que se desenrolava aos meus olhos sem luz, intercalada com as saídas, minhas, ou de André, para tratamentos e análises.

"Gabriel era agora o braço direito do mestre e saía com vários aprendizes para fazer as montagens das peças esculpidas com maestria, nas igrejas e capelas por toda a cidade. No entanto, a velha raposa não deixava que se soubesse que era o seu aprendiz, o autor das obras agora tão cobiçadas. Até que um dia, um dos andaimes onde se encontrava Gabriel e um dos ajudantes partiu-se e caíram ambos de grande altura. O ajudante teve morte imediata e o jovem escultor ficou gravemente ferido."

Novas sequências de tratamentos levaram André a estar afastado de mim e a interromper a o desenrolar da narrativa que eu tanto ansiava. O meu companheiro de quarto, sabia-o agora, sofria de um problema do trato digestivo e estava a ser preparado para uma cirurgia complexa.
Por fim chegou o meu grande dia e fui submetido à última operação, que deveria devolver-me a vista. Regressei do recobro, cansado e aborrecido, mas a voz grave e feliz de André trouxe-me de volta à vida. Ofereceu-se de imediato para retomar a narrativa, avisando que, no fim do dia de amanhã seria a vez dele, enfrentar o bisturi.
Retomamos a história onde esta parara.

"Gabriel ficara ferido com gravidade na queda do andaime. Para o seu mestre, foi um grande aborrecimento, pois que teria de ser ele a fazer o trabalho em vez do discípulo e mandou-o para casa, sem mais compensações do que o pagamento dos dois dias que faltavam para acabar a semana. A pobreza em que viviam, atacou de novo o jovem casal, reduzido às parcas moedas que Arabela ganhava. A maior parte era gasta a pagar aos físicos, pouco mais que curandeiros, para aliviar as dores ao marido, que se sumia a olhos vistos.
Entretanto, o pai de Gabriel não estava em paz e decidiu procurar o filho. Estava disposto a aceitar as suas escolhas, fossem quais fossem. Percorreu a cidade fazendo perguntas até ser encaminhado, pelas descrições, ao jovem na oficina de escultura. Quando lá chegou, ouviu da voz dos restantes aprendizes, como Gabriel era explorado pelo velho artesão, que escondia o talento do jovem atrás da sua fama. Quando o encontrou pessoalmente, tratou-o com o desprezo que sentia e exigiu que lhe fossem entregues os pertences do filho e lhe indicassem onde residia.
Ao recolherem as poucas ferramentas que havia comprado e a bata manchada de sangue que envergava. Encontraram, coberta com uma manta, uma estátua em tamanho natural, que só tinha terminada a cabeça e os ombros. Representava inequivocamente Arabela, mas a sua perfeição era tal, que, pai e escultor, choraram de emoção ao apreciá-la.
Ambos feridos pelo arrependimento, foram à humilde casa que habitavam os amantes, para depararem com o jovem moribundo, cujas forças se acabavam rapidamente. Pediram-lhe perdão entre lágrimas, cada um pelos seus pecados e prometeram que cuidariam da sua esposa, para que nada lhe faltasse e vivesse como uma senhora daquele dia em diante. Questionado com o destino a dar à bela estátua, respondeu: "Não façam nada. Não a terminem, deixem-na como está. Comecei-a pelo amor que Deus me deu a conhecer e cada entalhe que lá está feito é um dia de felicidade por a ter a meu lado. Cada entalhe que lá falta, é por cada dia de amor, que Deus me deve ao lado dela."
O jovem morreu passados poucos dias, mas numa cama confortável na residência de seu pai, ao lado da mulher que amava e por quem foi capaz de abdicar de tudo. Arabela, viveu uma vida feliz e desafogada acompanhada da cunhada, de quem era tão amiga. Quanto à estátua, vestiram-lhe roupas de santa e está algures num altar duma igreja da diocese do Porto, recebendo a devoção que merece. Inadvertidamente, cada penitente que a ela se ajoelha, recorda cada dia de amor que Deus é devedor a Gabriel."

De volta à realidade, eram já altas horas da noite. Chorei com André a infelicidade do jovem casal, que tanto prometia e tanto merecia e, extasiado com a beleza da história, pedi que me dissesse quem era o autor. Respondeu-me que o livro era velho e o nome estava apagado.
Despedi-me distraidamente do meu companheiro quando partiu para a sua cirurgia mas pensei esperar que regressasse para lhe pedir para tocar no livro.
Acabei por adormecer, só acordando de manhã para a higiene e a visita do médico, que me veio retirar as ligaduras. Um brilho imenso e doloroso atingiu-me apesar de ele dizer que o quarto estava na penumbra. Era um bom sinal, porém: já não viveria na total escuridão.
Foi então que me apercebi que André ainda não regressara e questionei o médico, que foi evasivo. Acabei por me enervar e exigi que me dissesse onde estava e como se encontrava. Acedeu e contou-me que tinha sido submetido a uma extensa cirurgia para extração de um cancro no intestino. A situação estava muito pior do que todos esperavam e tinha-se ficado na mesa de operações.
Não quis ouvir mais. Atirei-me para a cama, com os olhos a rebentar, com as lágrimas e a mágoa de perder um amigo e companheiro, do qual nunca tinha visto o rosto.
Quando me acalmei, percebi que conseguia divisar os contornos dos objetos, na escuridão total do quarto. Acendi a luz, tendo o cuidado de fechar os olhos com força e abri-los muito devagar.
O mundo que perdera há muitos anos estava de volta: o mobiliário, as cores das cortinas, das paredes e das camas estavam lá novamente. Mas não era isso que me preocupava naquele momento; dirigi-me avidamente à mesa de cabeceira do meu infeliz companheiro e abri a gaveta da mesa de cabeceira, como tantas vezes o ouvi fazer nos últimos dias.
Lá dentro, havia apenas uma capa, comportando um grande número de folhas em desalinho, garatujadas numa escrita alongada e quase ilegível, de quem está habituado a escrever muito. Por todas as páginas havia secções riscadas e apontamentos laterais. Consegui decifrar as últimas frases:

"Quanto à estátua, vestiram-lhe roupas de santa e está algures num altar duma igreja da diocese do Porto, recebendo a devoção que merece. Inadvertidamente, cada penitente que a ela se ajoelha, recorda cada dia de amor que Deus é devedor a Gabriel."

Procurei rapidamente a primeira página onde estavam bem legíveis três linhas:

"Por Cada dia de Amor"
de André Matos
Dedicado ao meu amigo Herculano, sem o qual esta história não seria terminada."

Share:

Receba as últimas novidades

Receba as novas publicações por correio eletrónico:

Número total de visualizações de páginas

Mensagens populares

Publicações aleatórias

Colaborações


Etiquetas

Contos (104) Carreira (72) Marketing (61) Samizdat (56) Lançamentos (39) Eventos (33) Contos Extensos (32) Contemporaneo (31) Autobiográfico (27) religião (27) Antologias (24) Noticias (24) Poesia (23) TDXisto (22) pobreza (22) roubo (22) Na Madrugada dos Tempos (21) pre-historia (21) primitivo (21) sobrenatural (19) criminalidade (18) Crónicas (17) biblico (17) A Maldição dos Montenegro (16) Sui Generis (16) homicidio (14) DAMarão (13) Recordações (13) Suporte a criação (13) genesis (13) publicações (13) Indigente (12) sem-abrigo (12) separação (12) Pentautores (11) Distinção (10) Século XIX (9) Uma Casa nas Ruas (9) livros (9) Apresentações (8) perda (8) solidão (8) terceira idade (8) Cartão de Natal (7) Celebrações (7) Entrevistas (7) Na Pele do Lobo (6) Rute (6) Terras de Xisto (6) Trás-os-montes (6) intolerancia (6) lobisomens (6) mosteiro (6) Papel D'Arroz (5) Portugal (5) Revista (5) geriatria (5) guerra (5) medo (5) morte (5) opressão (5) traição (5) Corrécio (4) Divulga Escritor (4) sofrimento (4) vicio (4) LNRio (3) Violência doméstica (3) dor (3) Carrazeda de Ansiães (2) Entre o Preto e o Branco (2) Ficção (2) Humor (2) Projetos (2) ambição (2) apocaliptico (2) cemiterio (2) culpa (2) futurista (2) isolamento (2) jogo (2) lendas (2) sonhos (2) Abuso sexual (1) Covid-19 (1) Extraterrestres (1) Minho Digital (1) Pandemia (1) Perversão (1) Viagens do tempo (1) abel e caim (1) bondade (1) desertificação (1) dificuldades (1) emigração (1) escultura (1) hospital (1) materialismo (1) mouras (1) natal (1) sorte (1) suspense (1) transfiguração (1)

Imprimir

Print Friendly and PDF