quarta-feira, 12 de novembro de 2003

Até que chegues


O vento gelado queima o meu rosto
E os olhos choram com o frio,
Ao olhar a imensidão do mar.
O troar continuo das ondas,
Batendo eternamente nas rochas,
Lembra a inevitabilidade da dor
Associada à força dos sentimentos.
Também ela bate continuamente em nós,
Furiosamente, macerando, quebrantando,
Destruindo a força de vontade.
As gaivotas gritam estridentemente
Procurando algures entre as águas,
Um pouco de alimento físico.
Também eu busco neste horizonte imenso
Um pouco de alimento, espiritual.
De olhos estendidos ao céu,
Pensamentos perdidos no anjo que és.
Ao longe um navio demanda o cais,
Cidadela iluminada, consciente do destino,
Enquanto eu erro à deriva na vida.
Sonhos esfarrapados como as nuvens no céu,
Olhos semicerrados, cegos aos erros,
Pensamentos dispersos sem rumo definido.
E aqui ficaria horas desfiadas em dias,
Semanas em linha desdobradas em meses,
Não fosse tu chegares…
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quinta-feira, 2 de outubro de 2003

Criação



O mundo era jovem e as estrelas crianças reluzentes,
E nós, os Primeiros daquela raça.
Éramos luz e promessa de vitória,
A Esperança tornada vida.
Os rios eram cristalinos cheirando a alfazema,
Cantando histórias das suas viagens.
Os animais, nossos companheiros,
Acompanhavam-nos e falavam-nos com alegria.
Naquele tempo, o mundo era virgem,
E nós os futuros donos.
Naquele tempo em que o mundo era jovem,
Éramos apenas crianças,
Vigiadas ternamente pelo Bom Pastor,
Que olhava carinhosamente a sua Criação.
Mas não seriamos crianças para sempre
E o brilho do Conhecimento
Refulgiu nos nossos olhos ingénuos,
Abrindo-os e enchendo-os de Sabedoria,
De Bondade e de Maldade.
E de repente sabíamos quem eramos,
Quem poderíamos ser...
E queríamos mais.
O Bom Pastor cobriu a face e chorou,
Ao dar-nos o Conhecimento pretendia tornar-nos melhores...
Mas também Ele comete erros.
E o mundo agora é velho e as estrelas baças e mortiças.
Os rios sem vida
Onde as águas que não são mais cristalinas,
Já não chilreiam mais histórias.
Os animais temem-nos e não nos falam,
Chocados com a nossa mudança.

Desde então que a esperança temo-la nós,
Em cada um dos nossos filhos,
Que seja melhor do que somos,
Que faça mais do que fizemos,
Que tenha mais felicidade que a que temos.
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sábado, 9 de agosto de 2003

Calor



Calor.
A mente ferve, o corpo incendeia.
Os pensamentos são difusos,
A imaginação não se refreia,
Os nossos seres estão confusos.
Calor.
A cabeça não funciona,
O corpo verte água, sua.
Todo o meu ser se emociona,
Ao sonhar com a boca tua.
Calor.
A noite é imensa, eterna,
As horas não querem passar,
Sonho com a caricia terna
Que teima em não chegar.
Calor.
Esta noite é infernal,
O corpo em água se esvai
Só a tua presença não faria mal
Enquanto a consciência se vai.
Calor.
Por fim o sono bem-vindo,
Onde sonho que estás aqui
Mas quando o sonho é findo
Me apercebo do que perdi.
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terça-feira, 15 de julho de 2003

Sempre pensando em ti




Quero, desejo, egoísmo puro e simples.
Mas o mais poderoso sentimento,
Fala apenas de partilha e entrega.
Mas eu quero-te e desejo-te,
Não consigo deixar de pensar em ti.
Que partilha é esta, se te não posso tocar,
Que entrega é esta se não estás a meu lado.
Fecho os olhos e oiço o cantar do teu rir,
Aperto os lábios e sinto o calor dos teus.
Encolho-me em minha cama
E acho que que te consigo tocar.
Quero-te, desejo-te,
Não podes duvidar.
Sinto a tua falta,
Vejo-te nas pessoas que se cruzam comigo,
Oiço-te no sussurro das conversas alheias.
Quero-te, desejo-te,
Mas não te consigo ter…
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sexta-feira, 4 de julho de 2003

Dificil





É difícil, dá para perceber. 
É difícil viver, é difícil nascer. 
Porque o não há de ser sobreviver. 
É difícil sentir e não poder dar, 
Amar e não poder partilhar 
Querer e não conseguir alcançar. 
É difícil, pois é, 
Doer e ter de se manter em pé, 
Acreditar e quase perder a fé. 
É difícil com certeza. 
Desejar calor e sentir frieza. 
Ansiar alegria onde vive a tristeza. 
É difícil, também crês, 
Quando queres, não me vês, 
Sermos dois mas haver sempre três.
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