Debaixodosceus.pt e Amazon.com: Uma parceria de sucesso
2017 Publicação "Daquele Além Marão"
2020 Foi criada a nova imagem
2017 Apresentação na Casa dos Transmontanos do Porto
2022, Pela primeira vez, publicação em capa dura além de capa mole
2017 Apresentação na Confeitaria Luso-brasileira
2020 Publicação "Entre o Preto e o Branco"
2017 Apresentação no CITICA de Daqueles Além Marão
2016 Apresentação no CITICA de "Lágrimas no Rio"
2016 Publicação de Lágrimas no Rio
2016 Apresentação no ISLA de "Lágrimas no Rio"
2015 "Terras de Xisto" - A primeira publicação
2022 Publicação de "A Caixa do Mal"
2022 Devido ao seu sucesso, "Lágrimas no Rio" tem 2ª edição
2022 Publicação "Na Sombra da Mentira"
2022 Publicação "Depois das Velas se Apagarem"
terça-feira, 24 de dezembro de 2019
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
Antologia Eternamente Enamorados
Mais uma participação numa antologia SUI GENERIS.
De: SUI GENERIS
Date: sexta, 13/12/2019 à(s) 11:49
Subject: ETE 014 - Manuel Amaro Mendonça - 1 Texto
To: Manuel Amaro Mendonça
Date: sexta, 13/12/2019 à(s) 11:49
Subject: ETE 014 - Manuel Amaro Mendonça - 1 Texto
To: Manuel Amaro Mendonça
Bom dia, Manuel Amaro Mendonça.
Obrigado pela submissão do seu texto com o
título
LUÍS E ISABEL
à antologia «ETERNAMENTE ENAMORADOS».
Recebemos o seu ficheiro em boas condições.
O envio de qualquer texto para este
projecto literário pressupõe conhecimento e aceitação de todos os pontos do Regulamento,
que se encontra disponível neste endereço:
Se ainda tiver alguma
dúvida, faça o favor de esclarecê-la. Estamos disponíveis para responder a qualquer questão.
Todos os textos recepcionados neste email
serão submetidos ao processo de selecção para a antologia «ETERNAMENTE ENAMORADOS» e o resultado da selecção será divulgado (de
acordo com o Ponto 5 do Regulamento) no prazo de duas semanas após a data
limite para recepção dos trabalhos. Recordamos que este projecto colectivo é uma
Antologia Sui Generis, organizada e coordenada por Isidro Sousa, responsável
pela Colecção Sui Generis, e o livro será editado com a chancela Euedito.
Daremos notícias durante todo o processo de
selecção.
Estaremos em permanente contacto com todos
os autores participantes. Poderá acompanhar-nos através das redes sociais,
das nossas páginas no Facebook, do blogue Edições Sui Generis e dos grupos «LETRAS
SUI GENERIS» e «ISIDRO SOUSA E AUTORES».
Resta-me enviar-lhe um grande abraço.
E seja bem-vindo a este trabalho
colectivo!
Isidro Sousa
ETERNAMENTE ENAMORADOS
Organização
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
O Natal de Miriam
Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
— Mãe? O que é o Natal?
A mulher, que preparava alguns legumes, sobre a mesa, olhou
para baixo, para a filha, com cerca de sete anos. De seguida olhou para o
marido, Josh, que se debatia com uma agulha, a coser uma peça de couro. Este
devolveu-lhe a mirada, com uma expressão enfastiada, como que percebendo o que
vinha por aí.
— Nunca ouviste essa palavra, Miriam? — A mãe sentou-se num
bloco de madeira, junto à lareira que crepitava e iluminava-lhe o rosto em tons
de dourado.
Percebendo que aquele era o prenuncio de uma das fantásticas
histórias da sua progenitora, a criança aconchegou-se no colo dela.
— Não. Apenas agora, quando a disseste. — Os enormes olhos
da criança reluziam, expectantes. — Festejar o Natal? É uma festa, então.
O irmão da criança, pouco mais velho, interrompeu as suas
brincadeiras e veio sentar-se junto deles.
— Já vi que hoje, vamos comer tarde… — Resmungou Josh, quase
de si para si. — Podias deixar essas crendices para depois, Yara.
— Sim, é uma festa. Uma festa de aniversário. — A mulher
ignorou o esposo, enquanto começava. — Há muitos, muitos anos atrás, numa
terra, muito, muito longe, chamada Belém, nasceu uma criança. Era, porém, uma
criança muito especial.
— Porquê? — Os enormes olhos de Miriam estavam fitos no
rosto da mãe.
— O povo dessa criança, estava a sofrer muito, com uns
homens chamados romanos. Eles estavam a escravizá-los e havia uma lenda que
dizia que ia nascer um rei, que iria expulsar esses homens.
— Ora! — Romi, o mais
velho dos filhos criticou. — Se ia nascer ainda, bem podiam esperar que ele se
tornasse rei. Já estariam todos velhos! E os romanos podiam matá-lo logo que
nascesse, ou à mãe do rei.
— O problema, — Yara continuou, imperturbável. — era que
ninguém sabia quem seria a mãe, nem onde nasceria esse rei. Mas as pessoas
esperavam-no e desejavam muito a sua vinda.
— E quem eram os pais desse rei? — A curiosidade insaciável
de Miriam não dava tempo para explicar.
— Ninguém sabia, como eu disse, mas foram escolhidas duas
pessoas humildes, com poucos haveres, que viviam numa região chamada Nazaré.
— Humildes?!? Poucos haveres?!? — Romi não conseguia
acreditar. — Um rei não nasce de pessoas assim! Quem os escolheu?
— Quando a mulher engravidou, veio um anjo, que lhe disse que
iria trazer ao mundo um rei. — A mãe continuou pacientemente. — O casal
escolhido era Miriam e Joshua.
— Como eu e o papá! — A menina estava felicíssima.
— Que é um anjo? — O rapaz estava interessado noutros temas.
— Anjos, são seres de luz, que habitam noutra dimensão. Sós
os vemos, se eles quiserem.
— Yara. — Josh censurou, sem, no entanto, deixar o trabalho.
— Vais assustar as crianças.
— Não fazem mal a ninguém. — A mãe sossegou-os. — São
mensageiros do Senhor dos Céus e foi Ele, quem escolheu e mandou o anjo avisar
Miriam.
— Não foi muito esperto, esse Senhor dos Céus. — Afirmou
Romi com desdém. — Se escolhesse alguém rico e poderoso, era muito mais fácil
para o rei.
Josh e Yara olharam-se rapidamente e riram-se do comentário.
— Tens razão, meu filho. — Concordou a mãe. — Mas Ele preferiu
alguém que não estivesse habituado a uma vida boa e sem dificuldades. Queria
alguém que não sentisse falta dos luxos e andasse entre os pobres e doentes a consolá-los
e a ver o que precisavam. Este, não seria um rei que comanda exércitos, mas o
rei do amor e da compaixão.
— Então! — O rapaz ficou perplexo. — Eles não queriam um rei
para lutar contra os romanicos?
— Romanos! — Yara corrigiu, sorrindo. — Sim, queriam, mas o
Senhor dos Céus achou que eles precisavam era de amor e compaixão, numa altura
em que se morria por qualquer coisa e os homens lutavam por tudo e por nada.
— Iiihh! Eles vão ficar zangados! — Concluiu Romi.
— Sim, ficaram, mas isso é outra história e agora estamos a
contar a história do Natal. — A mãe teve de cortar as perguntas para poder
continuar. — Um dia, Joshua e Miriam, tiveram de ir à cidade grande, Belém,
porque tinham de resolver uns problemas lá e foram muito preocupados, porque a
criança estava quase a nascer. Mesmo assim, fizeram a longa viagem entre as
duas terras, naquele tempo andava-se quase sempre a pé e quando chegaram lá, já
era de noite e não arranjavam um sítio para dormir. Andaram de porta, em porta,
mas ninguém os ajudava e acabaram por sair da cidade, onde encontraram um
barracão de uns pastores para ficar.
As duas crianças estavam penduradas das palavras da mãe, de
olhos vivos e atentos.
— Foi assim que o rei dos homens nasceu. Num monte de palha,
dentro de uma barraca de pastores, aquecido pelo bafo dos animais que lá se
abrigavam. Chamaram-lhe Yeshua. — Não se ouvia um ruído, enquanto ela
continuava a narrativa. — Passado algum tempo, começaram a chegar pastores e
alguns agricultores com roupa e comida, que ofereceram ao casal e ao
recém-nascido. Por fim, até uns reis, vindos de terras distantes, trouxeram
prendas valiosas que lhes ofereceram também.
— Como é que essa gente soube? — Miriam estranhou. — Se eram
pobres e ninguém sabia que estavam para ali?
— O Senhor dos Céus mandou um anjo avisar as pessoas em
volta. E os reis que vinham de longe, já há vários dias seguiam uma enorme
estrela brilhante, que atravessava o céu e pareceu parar exatamente por cima do
barracão. Todos souberam que aquela criança iria ser muito importante na
história da humanidade. Desde essa altura e por muitos, muitos anos, neste dia,
o do nascimento de Yeshua, as pessoas davam prendas umas às outras para lembrar
o nascimento desse grande rei. Por isso, hoje também vocês vão receber uma
prenda. — Dito isso, ergueu-se e presenteou ambas as crianças com um pequeno
prato com duas fatias de pão com mel, sorrindo de satisfação perante a alegria
deles. — Até o resmungão do vosso pai tem. — Ela apresentou a mesma iguaria ao
homem, que pousou imediatamente o trabalho.
— Onde arranjaste isto? — Quis saber o esposo, por entre gulosas
dentadas.
— Parece que finalmente, a colmeia que o nosso vizinho
tantos se tem esforçado para recuperar, está a ter resultado. — Também Yara se
deliciava com o petisco. — Finalmente as pequeninas abelhas se estão a adaptar
à atmosfera e a produzir esta doçura.
— Porque é que agora não se festeja o Natal, mãe? E não se
fala do rei Yeshua? — Miriam havia devorado a sua porção e estava pronta para
mais perguntas.
— Os homens foram-se esquecendo destas histórias e
preocuparam-se com outras coisas. — O rosto da mãe era triste. — Durante algum
tempo, diziam até, que Yeshua era o culpado das coisas más que lhes aconteciam
e que eram apenas consequências das ações deles. Mas isso não interessa agora,
mas sim que devemos lembrar que todos os anos, neste dia, é como se Yeshua
nascesse outra vez e os pecados dos homens são perdoados.
Como um raio, Miriam correu porta fora e perscrutou avidamente
o céu, em busca da estrela brilhante que assinalaria o local onde nascia
Yeshua. A abóboda celeste estava imperturbável, continuava coberta de pequenos
pontos brilhantes onde, a espaços, um risco veloz aparecia e desaparecia. Sentindo-se
um pouco desiludida, sentou-se na entrada da porta. Quem sabe, a estrela ainda
apareça, para lhe indicar o caminho. Talvez estivesse, ainda escondida, por trás de
uma das três enormes luas, quase alinhadas, que lhe iluminavam a noite.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
Pentautores - Cinco Maneiras de Contar Histórias
Num sábado de inverno, fez no dia 19 de novembro, três anos, um grupo de cinco contadores de histórias, reuniu-se na Póvoa de Lanhoso. Os seus elementos, estavam decididos conhecerem-se pessoalmente e conversarem sobre o amor que os unia: a escrita.
Durante um almoço bem disposto, alguém atirou "para o ar" um desafio: "E se escrevêssemos um livro, nós os cinco?" Se bem o pensaram, melhor o fizeram e seis meses depois (não, não foram nove), nascia "Antes Quebrar Que Torcer": quase 250 páginas de interpretações do tema As Invasões Francesas no Norte de Portugal, em 1809.
Passaram-se dois anos e meio, desde esse lançamento inicial e já há nova obra nas bancas: "Além", palavra vaga e aberta às mais diversas interpretações, que deu rédea solta aos nossos autores, durante 265 páginas.
Depois de obra feita e um sentimento de pertença a este grupo cada vez mais coeso, não podíamos deixar de pensar, que se impunha a criação de um símbolo, um emblema, que nos representasse.
Depois de analisar vários formatos e imagens, a escolha caiu sobre este aqui exibido.
Engana-se, quem pensar que se trata de uma imagem avulsa, sem qualquer significado. A fonte escolhida, é semelhante ao tipo da máquina de escrever, para lembrar outros tempos, mais manuais e menos digitais.
Pentautores, porque somos cinco, assim como os dedos da mão: todos diferentes, mas com um interesse comum.
A mão aberta, oferece uma caneta, porque é com a caneta que se escrevem as histórias.
Como disse um dia Virginia Wolf: "Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial".
As obras do grupo Pentautores:
Além - Outubro 2019
Antes Quebrar Que Torcer - Maio 2017
Futuramente teremos outros!
Os Pentautores, em 19 de novembro de 2016.
Da esquerda para a direita:
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Inácio
terça-feira, outubro 29, 2019Contemporaneo, Contos, jogo, Samizdat, separação, vicio
Sem comentários:
Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Inácio olhou para o espelho. Havia um rosto cansado e
macilento, com olheiras profundas e barba por cortar.
Sentia-se a mais miserável das criaturas, quando atirou a
água fria para a cara, numa vã tentativa de expulsar os vapores do álcool do
dia anterior.
Abandonou a toalha descuidadamente, em cima do lavatório e
tropeçou para fora da casa de banho.
O mortiço sol de inverno parecia apostado em ferir-lhe os
olhos, através das lentes coloridas, enquanto se arrastava pela calçada, em
direção ao emprego, de que estava farto.
Não tomara banho, nem desfizera a barba... não conseguira
convencer-se a entrar no chuveiro, mesmo sabendo que se iria sentir melhor.
Parou no pequeno quiosque da esquina e não precisou de pedir
o maço de tabaco, pois este foi de imediato colocado em cima do balcão, pela
mulher rechonchuda, de ar maternal.
— Bom dia Inácio. — Sorriu-lhe de trás do balcão.
Oscilante, procurou nos bolsos o dinheiro para o tabaco, que
contou na mão direita.
Sem responder, mas esboçando um sorriso que mais parecia um
esgar, pousou as moedas em cima do balcão enquanto grasnava:
— Dê-me uma raspadinha de um euro. Quem sabe se a minha
sorte não mudou de ontem para hoje.
Com um ar de reprovação, a mulher pousou o impresso sobre o
maço de cigarros. Recolheu as moedas, sem contar, mesmo sabendo que não eram
suficientes, enquanto perguntava:
— Foste para as cartas ontem, outra vez, não foste?
A raspar o impresso, ele deitou-lhe um olhar de soslaio
enquanto respondia:
— Que quer, mãe? Já sabe como eu sou...
— Perdeste muito? — Ela tinha lágrimas nos olhos.
— O costume... demasiado.
— Meu filho... não ganhas juízo, valha-te Deus. Que queres
fazer da tua vida?
Ele atirou raivosamente com a raspadinha inútil para o chão,
mesmo ao lado do cesto dos papeis.
— Recebi o ordenado anteontem e já f** tudo. — Lamentou-se.
— Parecia estar a correr tão bem. Tinha duplicado o dinheiro, mas, de repente,
foi como me fizessem um mau-olhado e não ganhei mais... foi-se o relógio também…
Não vou conseguir pagar a prestação da casa outra vez.
— A Alice já sabe?
— Não… estava a dormir quando cheguei e quando acordei, já
tinha saído para o trabalho... — Ele atirou-lhe com aquele olhar de criança
perdida, que lhe recordava as tropelias, que ela não conseguira castigar.
— Meu filho, amo-te muito, mas não vou emprestar mais
dinheiro.
O rosto de Inácio transfigurou-se numa máscara de desdém.
— Quem pediu dinheiro? — Vociferou.
— Ias acabar por pedir. — A mãe tinha os olhos com lágrimas.
— Não te ponhas com choraminguices! — Gritou-lhe virando as
costas enquanto tirava um cigarro do maço e o acendia, com as mãos trementes. —
É por causa disso que até vou comprar o tabaco a outro lado!
Não, meu filho. — A mulher assoou-se ruidosamente. — Vens
aqui quando não tens dinheiro que chegue. — Fez-se um silêncio pesado entre
ambos, enquanto ela retorcia a revista que tinha sobre o balcão e tentava
espreitar-lhe o rosto. — Como vais fazer então?
— Não sei. — Inácio soltou uma baforada, sem se voltar, o
olhar perdido na avenida que se estendia à sua frente. — Pedi um adiantamento
no emprego, no mês passado. Não posso pedir outra vez.
— Já te emprestei mais de mil euros, meu filho. Que pensas
fazer da tua vida? Eu não sou rica!
— Vais-me atirar com isso à cara, agora? — Inácio voltou-se,
de repente, erguendo os braços em impotência. — Que queres que faça? A sorte
não me ajuda! Olha que já ganhei muito dinheiro às cartas…
— Nunca vi nenhum! — Respondeu a mãe amargamente, enquanto
abria a máquina registadora. — Quanto precisas para a renda da casa?
Ele atirou-se sobre o balcão e deu-lhe dois sonoros beijos
no rosto, mas quando tentou chegar à caixa, foi uma palmada decidida que lhe
estalou na mão.
— São trezentos e oitenta "paus" do mês passado e
outro tanto deste mês. — Sorriu divertido, fingindo-se envergonhado, enquanto
esfregava a manápula.
— Tens aqui quatrocentos, vai pagar o do mês passado, ante
que te tirem a casa. — Ela pousou as notas em cima do balcão, sentindo-se
imensamente velha. — A culpa de seres como és, é principalmente minha. Sempre
tentei esconder as tuas velhacarias do teu pai, pobre coitado, que se matou a
trabalhar.
— Deixa lá estar o velhote sossegado. — O homem fez uma
careta. — Podia ser muito trabalhador, mas as mãos não eram para fazer
carícias, mas para me moerem o lombo.
— Nunca tas deu, que as não merecesses! — Ela defendeu o
marido com ardor. — E não levaste mais, porque escondi eu muita coisa e tirei
dinheiro de casa para pagar os teus estragos. Nunca fizeste por melhorar,
tentavas corrigir uma patifaria com outra ainda maior. Agora que deixaste os
bandidos dos teus amigos, gastas o que tens e o que não tens, em cerveja,
tabaco e jogo!
— Ora, mãe, deixa-me! Pareces a porra da Alice, sempre a
moer-me o juízo! — Ele contou as notas de vinte euros e meteu-as ao bolso, com
um sorriso de satisfação.
— Essa pobre criança também tem sofrido bastante nas tuas
mãos… — Por uns instantes, o aspeto maternal tornou ao rosto dela.
— Deixa-te disso! Nunca gostaste dela!
— Nunca gostei do aspeto dela, é verdade, de saia curta e
sempre pintada, se tem marido em casa, não precisa de se arranjar como se
andasse "à caça". — A mulher apontou o dedo acusador ao filho. — Mas
ela e o emprego mal pago que tem, é o que vos tem valido para corrigir os teus
constantes desatinos! Se te ajudo, não é por ti, nem por ela, é para o meu
netinho, que vai passar necessidades, se vocês não tiverem dinheiro.
— Oh, pá, pronto, vai começar a ladainha. Vou-me embora, que
vou chegar atrasado ao trabalho.
— Não te dou mais dinheiro, ouviste? — A matriarca
gritou-lhe enquanto ele se afastava.
— Sim, sim, ouvi! Até pode ser que hoje já não precise dele!
— Ele parou junto da passadeira. — Posso ter sorte!
— Ah, bandalho, que dás cabo de mim! — Gritou a mãe. — Só
levas o da renda deste mês, quando vier cá a Alice dizer-me que está pago o
atrasado, ouviste?
— A Alice, não sei onde
para. — Inácio respondeu-lhe, com uma expressão revoltada, antes de se afastar
em passos largos. — Foi-se embora na
semana passada e não voltou mais.
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Nova antologia Sui Generis - Bendita Manjedoura
segunda-feira, outubro 14, 2019Antologias, Carreira, Lançamentos, Noticias, Sui Generis
Sem comentários:
Mais uma participação em antologias. Desta vez sob o tema do Natal, foi incluído um conto inédito "O Natal de Miriam".
De: SUI GENERIS
Date: sábado, 12/10/2019 à(s) 12:12
Subject: BEN 007 - Manuel Amaro Mendonça - 1 Texto
To: Manuel Amaro Mendonça
Date: sábado, 12/10/2019 à(s) 12:12
Subject: BEN 007 - Manuel Amaro Mendonça - 1 Texto
To: Manuel Amaro Mendonça
Bom dia, Manuel Amaro Mendonça.
Obrigado pela submissão do seu texto com o
título
à antologia «BENDITA MANJEDOURA!».
Recebemos o seu ficheiro em perfeitas
condições.
O envio de qualquer texto para este
projecto literário pressupõe conhecimento e aceitação de todos os pontos do Regulamento,
que se encontra disponível neste endereço:
Se ainda tiver alguma dúvida, faça o favor
de esclarecê-la. Estamos disponíveis para responder a qualquer questão.
Todos os textos recepcionados neste email
serão submetidos ao processo de selecção para a antologia «BENDITA MANJEDOURA!» e o resultado da selecção será divulgado (de
acordo com o Ponto 5 do Regulamento) no prazo de duas semanas após a data
limite para recepção dos trabalhos. Recordamos que este projecto colectivo é uma
Antologia Sui Generis, organizada e coordenada por Isidro Sousa, responsável
pela Colecção Sui Generis, e o livro será editado com a chancela Euedito.
Daremos notícias durante todo o processo de
selecção.
Estaremos em permanente contacto com todos
os autores participantes. Poderá acompanhar-nos através das redes sociais,
das nossas páginas no Facebook, do blogue Edições Sui Generis e dos grupos «BENDITA
MANJEDOURA!», «LETRAS SUI GENERIS» e «ISIDRO SOUSA E AUTORES».
Resta-me enviar-lhe um grande abraço.
E seja bem-vindo a este trabalho
colectivo!
Isidro Sousa
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Além - Novo projeto, para os mesmos autores
Depois de "Antes Quebrar que Torcer", Ana Paula Barbosa, Carlos Arinto, Jorge Santos, Manuel Amaro Mendonça e Suzete Fraga, resolvem juntar novamente os seus trabalhos, numa despretensiosa antologia.
Além é um tema que permite, a cada autor, uma liberdade de pensamento e, como é hábito, as mais diversas variações e interpretações da palavra. Mas ficam aqui algumas palavras de Carlos Arinto, num excerto da introdução à obra:
"Sendo o tema muito abrangente, ou pelo menos,
suficientemente abrangente para permitir todas as interpretações, cada um dos
autores criou aquilo que lhe parece ser demonstrativo desse espaço imaginado:
um espaço onde se pode ir sempre mais além.
O além, não está aqui, mas além. E onde é esse além? Onde o
quisermos situar, mas como somos nós que estamos “aqui” temos de nos esforçar
por colocar em palavras o que pode existir além.
(...)
As histórias apresentadas são reais, elas existem, e, mesmo
depois de apagadas da rede informática que as suporta, depois de ignoradas
pelos leitores ou destruídas pelas chamas das catástrofes…continuarão a existir.
Se existem, são reais, mesmo que duvidemos da sua existência, enquanto
acontecimentos a que um reduzido número de testemunhas dá autenticidade
factual. Afinal, a ilusão e o sonho, bem como a invenção e a imaginação, depois
de libertos, são imparáveis e voam mais além."
Brevemente, estará disponível no sítio da Amazon, em todo o mundo.

























