Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Traição II
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Traição I
Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
sábado, 29 de novembro de 2014
Devoção
e eu um anjo completamente caído
Sempre que falamos
deixo de ser eu,
ou pelo menos
o eu que mostro aos outros.
Deixo cair o escudo,
ponho de lado a mascara
e sinto-me como uma criança
que anseia por se aconchegar
encostar a cabeça no teu seio
e deixar-se embalar.
Por comodismo deixo as canções falar
por mim
beneficiar do impacto maior
que traz a música.
Mas as palavras estão aqui
à boca do coração
caladas,
amordaçadas,
mas pesadas e sentidas,
Esperando o dia em que as solte
faça o que não quis fazer
e seja o que não quis ser.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Solidão
Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Molhei uma bolacha no leite e saboreei a textura mole e doce que me enchia a boca e parecia trazer à memória doces e antigas recordações... o meu pai na longínqua aldeia transmontana, de calça de cotim e camisola grossa de lã, com o inseparável chapéu na cabeça à minha espera para me levar à carreira que me levaria à escola, a minha mãe sempre com um "Despacha-te rapaz que o teu pai está à espera." ou "Acorda, não durmas em pé, não vês o que estás a fazer?".
Não pude evitar um sorriso, já lá vão tantos anos... sessenta, setenta? Hmmm, deixa ver, eu tenho... bolas quantos anos tenho? Também não interessa, já foi há muitos anos e os pobres coitados devem estar no céu, que Deus os tenha, porque aturar-me não deve ter sido fácil.
Estão a mexer na porta, deve ser ela, a Julia. Sim, tem o mesmo nome da minha filha, mas não pode ser ela, porque ela é ainda uma criança... deve estar na escola talvez, não sei. Por aqui não está agora.
A mulher magra de cabelo escuro e casaco comprido cumprimentou-me com um "Olá pai." e um beijo na face como de costume. Coitada, deve sentir-se sozinha, ao menos eu ainda tenho a Celeste, não fala, mas pelo menos está ali e ouve-me.
- Então? Como está hoje? - Perguntou-me na voz musical que as mulheres que nos têm carinho conseguem fazer - Como estão os ossos? Dormiu bem?
- Sim estou bem, obrigado. - Assenti enquanto ela vestia a bata que usa para fazer a limpeza à casa e que representava o passo inicial antes do ataque frenético que fazia à sujidade e desarrumação que eu, por muito que me esforçasse, não conseguia evitar.
Acabei o meu leite e o copo e o prato desapareceram da minha frente como que por magia.
- E então? - Recomeçou ela enquanto lavava a loiça que estava amontoada no balcão da cozinha - Pensou no que lhe disse?
Não me recordava de nada da ultima conversa, nem de alguma pergunta que me tivesse feito... fiquei a cismar.
- Não se lembra? - A voz entristeceu de repente - Sobre ter alguém que cuidasse de si a tempo inteiro, ir para um sitio onde as pessoas estão treinadas para o ajudar no que é preciso e lhe mantivessem a roupa limpa e o ajudassem nos banhos... enfim, melhor que eu que só posso vir uma vez por semana e a muito custo.
Franzi o sobrolho... não me lembrava nada daquela conversa e não me agradava nada a ideia:
- Sair daqui? Que queres dizer com isso, porque deixaria a minha casa?
- Oh, pai, falamos disso na semana passada. Não percebe que precisa de uma ajuda maior do que a que eu lhe posso dar? - Insistiu.- O pai não consegue cuidar de si sozinho, já tem 90 anos.
- Não, não me lembro de nada disso. - Retorqui deixando a cadeira e avançando para a a janela onde me quedei de costas voltadas para ela. - De resto, como me iria embora daqui? Deixava a tua... mãe sozinha?
- Oh meu Deus. - Havia lágrimas na voz dela mas continuava a lavar furiosamente a loiça - Outra vez isso? A mãe morreu há quase dez anos! Por favor!
- Morreu?!? - Indignei-me voltando-me para Júlia - Como, morreu? Não a vês ali sentada? - Voltei-me para a mesa e instiguei - Celeste, diz alguma coisa... - Ela não estava lá.
Senti uma tontura e uma pressão no peito, o ar parecia faltar-me, estava sempre ali e agora não estava, uma sensação terrivel de estar a reviver algo que já tinha acontecido atingiu-me com violência.
- Pai? - A voz de Julia estava preocupada - Pai, está bem? Está muito branco, venha sente-se, desculpe falar assim, ...
Afastei os braços que me estendia e caminhei o mais rápido que podia para o quarto da minha mulher.
A porta estava fechada à chave mas com a chave do lado de fora.
Tremendo, abri-a de par em par e entrei como um furacão.
Um cheiro a naftalina invadiu-me as narinas enquanto olhava em volta; a cama estava apenas com uma coberta por cima do colchão, a arca que estava sempre aos pés da cama coberta com roupa para costurar, estava sem nada.
Abri o guarda-fatos. Vazio!
Sem forças deixei-me cair pesadamente sobre o cadeirão à cabeceira da cama... onde passei tantas horas e tantas noites a velar o sono inquieto e o respirar pesado dela nos seus últimos dias...
Agora recordava-me de tudo, as memórias vinham em catadupas dolorosas e as lágrimas corriam-me livremente no rosto. Sentia o sabor salgado na boca enquanto chorava mansamente um choro velho de anos já chorado tantas vezes.
Júlia, encostada no umbral da porta, chorava comigo a repetição da dor da perda da mãe, já tantas vezes repetida por mim.
- Pai. - Pediu - Não chores por favor.
Mas as lágrimas não paravam e eu só tinha olhos para aquela cama vazia onde em tempos esteve a mulher que amei e que foi minha companheira durante tantos.
- Deixa-me, deixa-me. - Solucei - Vai embora por favor.
Ela retornou à cozinha num passo arrastado e eu deixei-me ficar parado a tentar limpar a minha mente de todas as recordações, de toda a tristeza que me sufocava em catadupas de dor. Deixei-me ficar à espera que ela se fosse e eu pudesse ficar novamente em paz... entregue ao doce oblivio.
Deixei-me ficar, com dores na alma à espera que o Alzheimer retomasse conta de mim... e talvez então ela voltasse... mesmo sem falar.
domingo, 24 de novembro de 2013
Desolação
Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Mastigou calmamente saboreando cada gota do fruto e, desejando manter uns segundos mais aquela sensação, engoliu, quase contrariado.
Entre dentadas, espreitou de olhos semicerrados as nesgas de sol que logravam romper por entre as nuvens escuras, trazendo uma vaga lembrança do calor de outras eras.
Deixou-se ficar sentado nas enormes pedras da ruina onde descansava fazendo durar a maçã enquanto escutava as vozes algo longínquas dos companheiros no exterior.
Pouco restava do descomunal edifício que escolhera para descansar. Apenas as paredes erguidas para o céu onde já não existia telhado, numa caricatura de mãos que imploravam aos céus.
O chão, pejado de escombros negros, era a evidência de um longínquo crime do qual este edifício fora testemunha e vitima.
Ergueu-se finalmente, com o uniforme camuflado já a ficar puído e enfrentou os restos do altar que ocupavam completamente uma das paredes. Com a maçã quase comida numa mão e a espingarda automática na outra, acenou um adeus respeitoso à cruz queimada que teimosamente resistia no meio da desolação.
Caminhou em passos indolentes e atravessou o pórtico, de onde a enorme porta desaparecera, para o exterior onde várias dezenas de homens e mulheres de uniforme igual se afadigavam com braçados de armas, munições e outras cargas.
O cenário deixara de ser o de um edifício em ruinas para se converter num mundo de destruição a perder de vista. Prédios com janelas sem vidros, como olhos sem vida, inclinavam-se em ângulos improváveis sobre outros reduzidos a escombros.
Aqui e ali, na praça que se estendia à sua frente, misturados com pedras e detritos, repousavam restos calcinados de automóveis arrumados para os lados para rasgar uma passagem para os veículos militares.
Um dos soldados aproximou-se e com uma continência desleixada anunciou “Meu sargento, o nosso comandante deu a ordem de reunir no ponto de encontro para partida imediata.”. Com a velocidade com que aparecera assim se afastou.
O sargento deu a ultima mordida na maçã e começou a caminhar na mesma direção que o soldado tomara, contornando a ruina da igreja.
Parou uns segundos a olhar a gigantesca cratera que engolira metade da cidade. A pouca água que ainda corria do rio caía desamparada numa suja cascata para qualquer lado prometendo que a enorme depressão se tornaria um lago em breve.
“Este primeiro ano é apenas o princípio de muitos outros de morte e destruição antes de podermos recomeçar a pôr ordem no mundo. Mas um dia havemos de conseguir. – Pensou – Havemos de trazer a ordem e a paz e taparemos estes buracos hediondos.”
Como que para começar o que prometia, arremessou o caroço roído da última maçã do mundo para a cratera que levara parte de Paris.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Frustração
Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Furioso
e atordoado, José abandonou o átrio do edifício forçando a porta a bater com
estrondo.
Em passo largo caminhou pela rua cheia de transeuntes.
Dentes cerrados, sobrolho franzido, caminhou fazendo as pessoas desviarem-se
frente à decisão que se notava no rosto crispado de olhos escondidos atrás dos
óculos escuros.
Era o fim de mais uma tarde de calor e o cimento do passeio
ainda expelia indolentemente o efeito do sol tornando todo o ar abrasador e
difícil de respirar.
Chegou ao automóvel, abriu a porta, precipitou-se
violentamente para dentro e fechou-a com estrondo. Deu três murros no volante:
— Merda, merda, merda!
Deixou cair a cabeça sobre o volante e quedou-se um pouco
com a respiração entrecortada.
Em seguida, num gesto brusco, deu à ignição e fez o veículo
arrancar com violência sem sequer verificar se havia outro veículo na faixa
para onde se precipitou.
Conduziu agressivamente pelas ruas, desviando-se e fazendo
com que se desviassem durante todo o caminho até entrar no estreito caminho de
terra que atravessava o canavial em frente do elegante café junto à praia.
Chegara à praia. Ao seu mar. Aquele que está sempre pronto a
recebê-lo, a ouvir os seus pensamentos e que lhe fala mansamente, calmamente,
trazendo-lhe a paz que tantas vezes ali vem buscar para acalmar os seus
demónios interiores.
De novo os passos largos até sentar à mesa da esplanada mais
distante do edifício mas mais perto do areal.
Estava longe do guarda-sol mas não fez nenhum movimento para
se tapar do astro rei que ainda dominava o céu sem concorrência.
Recostou a cabeça e fechou os olhos… o som cavo das ondas,
hipnótico, distraiu-lhe os maus pensamentos… por alguns segundos…
— Boa tarde. Posso ter o seu pedido?
Espreitou apenas com um dos olhos sobre as lentes escuras e
mirou o empregado a toda a altura, irritado com a interrupção. Era um jovem
alto de rosto tisnado do sol e ar de gozo. Respondeu-lhe:
— Croft.
— Fresco?
— Céus, não!
O empregado afastou-se com um aceno segundos antes dele
acrescentar mais alto:
— E café!
De novo se recostou de olhos fechados… O corpo nu de Mariana
estava perante ele em todo o seu esplendor… Os seios de mamilos eretos e
desafiadores, ventre liso e suave, quase púbere. Os olhos semicerrados, felinos
e felizes sob efeitos das caricias que a excitavam e dos beijos que a
enlouqueciam…
O som do seu pedido a ser depositado na mesa trouxe-o de
volta à realidade. Soergueu-se, pegou no copo, sorveu-o de um gole e com um
arrepio devolveu-o ao empregado que o observava atónito:
— Outro.
Logo que ele se afastou, começou a tomar o café. Estava
amargo e o seu aroma forte parecia queimar ainda mais a garganta ofendida pelo
brandy.
Poisou os cotovelos na mesa e esfregou os cabelos curtos com
ambas as mãos deixando-se estar naquela posição uns segundos até o ruido de
novo copo a pousar sobre a mesa o despertar.
Tornou a deitar um olhar ameaçador ao empregado que se
perfilava frente a ele, esperando.
Levou a mão ao bolso das calças e atirou uma nota para cima
da mesa de onde foi prontamente recolhida e substituída pelo troco.
Imediatamente desligou a sua atenção dele, sorveu um gole da
nova bebida enquanto se recostava novamente com a cabeça para trás. Os músculos
das costas protestaram sob a forma de dores em diversos pontos… as costas, as pernas,
os braços… tinha corpo um pouco maçado. Já não era um jovem, embora não fosse
um velho. Tinha quase cinquenta anos e não lhe pesavam normalmente, senão em
alturas como aquele fim de tarde.
De novo Mariana na sua mente… não era fácil esquecer aquele corpo
maravilhoso que ainda há poucos minutos estivera nos seus braços, esquecer
aquela boca ávida que o devorava enquanto beijava, aquele ventre que
sofregamente o exigia… e que ele não fora capaz de satisfazer… outra vez.
O som do mar embalava-o e uma lágrima obstinada correu ao
longo da haste dos óculos perdendo-se atrás da orelha. O som do mar e o efeito
que o brandy começava a fazer sobre as cervejas que bebera em casa dela.
Pela segunda vez conseguira convencê-la a ter algo com ele…
conseguira ir até sua casa para fazer aquilo que ambos desejavam… pela segunda
vez a sua ereção lhe faltou quando mais dela precisava.
Uma onda de raiva, vergonha e frustração correu o seu corpo
enquanto recordava a sensação de pânico enquanto sentia a flacidez tomar conta de
si quando a tentou penetrar depois de alguns minutos de excitadas brincadeiras.
A sua respiração tornou-se mais rápida enquanto revivia
aquele pesadelo que lhe sucedera pela segunda vez… que se passava? Que estava a
acontecer com ele? Era a idade? Ainda nessa mesma semana tinha estado com outra
mulher sem dificuldades. Cansado, sim, dorido, com certeza mas não flácido.
Era o seu pior pesadelo a tornar-se realidade pela segunda
vez com ela, agora que achava que iria eliminar a vergonha que sentira da primeira
vez, que a iria fazer sentir feliz e desejar outra e outra vez…
Não podia suportar a humilhação…
Abriu os olhos e acenou o copo vazio ao empregado que
passava perto.
De novo recostado deixou-se envolver pelo som do mar e das
gaivotas que gritavam ofendidas umas com as outras.
De novo o copo a pousar sobre a mesa… sem abrir os olhos,
colocou algumas moedas no tampo e tateou em busca da bebida que pareceu ter
sido empurrada para a sua mão.
Sorveu uns goles… o sol parecia já não aquecer tanto mas o
seu rosto ardia ainda de fúria…
Aquele corpo maravilhoso… sentiu que algo crescia dentro das
suas calças… agora que é tarde.
Mariana era sempre uma querida… riu, brincou, tentou todos
os encantos femininos e todos os truques que em qualquer outra altura (ou pessoa)
teria resultado… sem resultado.
Acabou a bebida e respirou fundo tentando acalmar o coração
que insistia em bater com força.
Ergueu-se de um salto e sentiu-se cambalear.
Olhou em volta… a esplanada estava agora vazia e o sol havia
desaparecido atrás do mar deixando uma luz irreal de um vermelho carregado que
o envolvia como nevoeiro.
Agora como seria? Estava arrumado? Estava… velho? Não!
Com a afirmação mental a martelar no cérebro em ondas de
raiva afastou-se a passos largos da esplanada em direção ao veículo.
Estava um “arrumador” junto do automóvel apenas um vulto
escuro de roupas sujas. Como ele odiava essa espécie.
Passou por ele ignorando-o e abriu a porta preparando-se
para entrar quando a figura falou:
— Dá-me uma moedinha?
— Vai trabalhar, pá. — Rosnou-lhe.
— Vai tu, cabrão! — A resposta foi pronta.
Ato contínuo, José saltou do automóvel com as mãos crispadas
para o pescoço do provocador e apertou-o com toda a força. A cara do homem
fazia um barulho estranho ao bater por várias vezes contra a longarina de
suporte do vidro traseiro onde deixava espirros de cor incerta que escorriam na
chapa.
Largou-o e ele caiu quase sem sentidos a seus pés onde levou
mais dois pontapés no estômago.
Quando se voltou para entrar de novo no veículo, encarou um novo
facínora que, sem uma palavra, o socou no estomago duas vezes com toda a força.
Uma onda de fogo começou a revolver-lhe as entranhas enquanto era empurrado
para o chão e despojado da carteira, que tinha no bolso traseiro das calças,
sem qualquer cerimónia.
Uma lâmina ensanguentada foi limpa na manga do seu casaco.
Enrolado sobre si próprio, olhou com pavor para a sua mão
empapada num líquido escuro que parecia correr da sua barriga.
O recém-chegado ajudou a levantar o companheiro, entraram
ambos no carro que começou a trabalhar e se afastou rapidamente…
José gemeu e deixou as lágrimas correram no rosto enquanto
sentia a vida a escoar-se entre as suas mãos…
Na sua mente começaram a desfilar, uma a uma, aquelas que
com ele viveram bons momentos e partilharam um pouco de felicidade…
Belas mulheres que umas após outra passavam na sua memória e
sorriam-lhe felizes. Ele recordava cada uma delas, cada recôndito do seu corpo,
cada sorriso, cada beijo. O calor da paixão que os movia a felicidade da
partilha do prazer… E Mariana… que o olhava com um rosto triste e cheio de pena
enquanto ele murmurava, já no fim:
— Não sei o que tenho… não é culpa minha…



















